Já cheira a eleições e o ponta-pé de saída aí está: redução de 1% no iva. A metodologia é sempre a mesma e por de mais conhecida, mas nem por isso deixa de ser utilizada porque a experiência mostra que ela é na verdade eficiente.
Primeiro, uma simples medida isolada à guisa de pré-aviso; depois, lá mais para a frente, outras medidas mais sonantes e apelativas, mas ainda e apenas em termos de quanto baste; e finalmente, com a aproximação das eleições, são então tiradas da cartola mágica girândolas de promessas: falsas, mentirosas e calculistas. Lá vêm os milhões para aqui, para alí e para acolá.
Com total descaramento e sem vergonha, surgem então os políticos em comícios de autêntica venda de banha da cobra prometendo este mundo e o outro a um zé povinho que até nem é parvo nem ingénuo. Mas é chico-esperto.
No seu ensaio “Da Necessidade da Mentira na Vida Política”, diz o sociólogo Prof. Ivo Costa que os políticos vivem da mentira, da intriga, do cinismo e da hipocrisia porque isso faz parte da sua estrutura biológica e psicológica e é o alimento para a sua própria sobrevivência.
Eles mentem porque são intrinsecamente mentirosos e sabem que as suas mentiras têm vencimento. A grande maioria do povo acaba sempre por votar.
E é dentro deste contexto que aquele sociólogo enfatiza os três tipos de eleitores manipulados pelos políticos, seja enquanto no poder, seja durante as campanhas eleitorais.
Segundo aquele sociólogo, o primeiro tipo de eleitores relaciona-se com as elites, as quais se estão pura e simplesmente nas tintas para os partidos e para o país; o único objectivo dessas elites são os seus próprios interesses. Daí o seu voto seguir claramente a tendência ganhadora mostrada pelas sondagens.
O segundo tipo de eleitores, continua o Prof., tem a ver com a classe média, que é apresentada como a mais volátil, mas que de qualquer forma a sua grande maioria não deixa de girar à volta dos partidos do centro e do centro esquerda.
Relativamente ao terceiro tipo, o Prof. relaciona-o ao eleitorado do interior cujos votos recaem, indiferentemente, a favor dos partidos afectos aos caciques locais, quer sejam eles arrogantes, corruptos ou ladrões.
Não cremos, obviamente, na bondade de todas as inferências do emérito sociólogo. Mas seja qual for o certo, a verdade é manifesta: o liberalismo começou em Portugal em 1820, há quase duzentos anos. E nem monarquia nem república conseguiu acabar com essa cambada de sanguessugas e aldabrões.
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