Professores e Alunos; Efeitos Causais

O que os meios de comunicação social acabam de trazer a público, mostranto a luta em plena sala de aulas entre uma professora e uma aluna em adiantado estado de histerismo, com aplausos de alunos pelo meio, não é para rir nem para esquecer, porque é grave e dá que pensar.

E traz desde logo o problema da educação no país e tudo o que ele acarreta em termos sociais, e o que tem sido a política nessa matéria dos vários governos que têm passado pelo poder.

É visível, e certamente preocupante, o estado de degradação em termos de civilidade, e não só, a que chegou a nossa sociedade. E a verdade é que as nossas crianças e os nossos jóvens são cada vez mais confrontados com os piores exemplos que lhes são dados, sejam eles através da televisão, das consolas de jogos, do que se passa lá por casa ou, por maioria de razão, dos exemplos que lhes são transmitidos pela própria política e pelos seus agentes mais directos.

Aquele acontecimento acaba, pois, por ser um reflexo do que se passa na nossa sociedade.

Com os exemplos que vêm de cima, já ninguém acredita em ninguém e muito menos nos nossos políticos e nas nossas instituições. Os tribunais não funcionam e os crimes passam ao lado; a polícia, que deveria ser de segurança pública, ou anda por aí à caça das multas ou trata os cidadãos abaixo de cão; a corrupção parece ser conhecida por toda a gente mas escapa-se incólume; os negócios à volta da droga, da prostituição, da homossexualidade e da pedofilia grassam livremente pelo país; a traficância de influências é o que sabemos.

E perante toda esta decadência do estado, das finanças e da sociedade em geral, qual é o papel e a responsabilidade dos nossos políticos? Afinal, quem são eles?

Bem o tentámos saber, consultando uma dúzia das suas biografias no site do nosso Parlamento. Ficámos simplesmente na mesma: continuamos sem saber quais são as suas origens, donde vêm e para onde vão, quem são os seus pais, se têm marido/mulher e se têm filhos, quais as suas inclinações sexuais, as suas taras, etc, etc.

Mas de uma coisa ficámos a saber: o cuidado e a preocupação de todos eles lá colocarem as suas licenciaturas em direito, em engenharia, mestrados e doutoramentos, e, até alguns que, nada podendo contra o destino que os fizeram, não deixaram de lá colocar a indicação: frequência universitária. O que deve ser para essa gente uma grande frustação. Por enquanto, entenda-se, porque o que não faltam por aí são universidades a facilitarem a conclusão de licenciaturas.

Portanto, neste país do faz de conta e de chico-espertos, onde as crianças e os jóvens estão entregues a si próprios, por favor não pretendam agora levianamente crucificar aquela professora, porque também Cristo não deixou de correr a pontapé os vendedores do templo, não obstante dar a outra face e dar a César o que era de César.


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