Mais uma vez, a ditadura sanguinária chinesa extravasou a sua furibunda malvadez contra o povo bom, humilde e pacífico do Tibete, sem que as nações poderosas deste mundo cão levantassem em uníssono as suas vozes contra tal barbárie.
As únicas vozes que se levantaram e fizeram ouvir foram simplesmente a nível individual, sobretudo vindas de pessoas mais atentas e conscientes de que a história não terminou e que os impérios, com os seus avanços e recuos, estão aí para durar, enquanto pelo menos não for possível à humanidade desalojar os seus ditadores.
Mas há sempre quem resista e eles aí estão. Em Paris, centenas de manifestantes escalaram os muros da embaixada chinesa e derrubaram a sua bandeira; em Barcelona, foi realizada uma cerimónia em homenagem às vítimas de violência no Tibete, seguida de uma marcha e uma vigília; em Haia, a manifestação perdeu as estribeiras e algumas pessoas chegaram mesmo a introduzir-se na embaixada, onde foram presas; em Bruxelas, centenas de manifestantes queimaram a bandeira chinesa em solidariedade para com o povo tibetano.
Os Amigos do Tibete, A Comunidade Internacional do Tibete, em Bruxelas, solicitou uma investigação internacional sobre os massacres, exigindo a suspensão dos Jogos Olímpicos de Pequim.
E as grandes potências internacionais? O que fizeram elas? Está bem de ver: por questões económicas e financeiras, por razões de estado, hipocritamente como sempre, os Estados Unidos, o Japão e a União Europeia pediram tibiamente moderação ao governo chinês. Como quem diz: malhem, mas de mansinho; matem, mas não exageradamente.
Se a China fosse um país pequeno e frágil, como o Kwait ou o Panamá; se fosse como o Kosovo ou a Bósnia e tantos outros do género, outro galo cantaria. Os grandes não se mordem uns aos outros porque se aleijam.
E acima de tudo, o que é triste, é vergonhoso e mete nojo é que em pleno século XXI a grande maioria dos países deste mundo, que era suposto ser um paraíso, ainda seja governada por ditadores corruptos, ladrões, assassinos, criminosos contra a humanidade, e ainda assim sejam recebidos com passarelas vermelhas e sorrisos rasgados.
Estamos no século XXI, é verdade. Mas ainda não saimos da idade da pedra, com certeza.
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