The Little Brothers

Por muito que os senhores do poder escondam as suas trafulhices e malabarismos, os seus esquemas e as motivações das suas guerras, a verdade é que mais dia menos dia os seus crimes acabam sempre por vir à superfície, tal como um corpo em podre decomposição acaba por flutuar, não importa se afogado num cristalino lago ou num pantanoso mar de enxúndias.

Poderão camuflar as suas valas comuns com espectaculares campos de golfe, poderão dissimulá-las plantando imensos jardins com lindas roseiras, poderão mesmo erigir por cima delas santuários de fé carregados de santos e de mártires, mas é fatal como o destino; eles serão julgados, não importa por quem.

Há milhões de little brothers à solta, trabalhando por sua própria conta e risco. Faz parte da nossa herança genética a busca das coisas, sejam elas quais forem. Não é por acaso que as criancinhas metem de vez em quando os seus frágeis dedinhos não só nos buracos das tomadas de electricidade, como também em tudo quanto é sítio. Elas querem saber, querem descobrir e descobrem mesmo.

E para o homem não há espaço nem tempo para a procura das coisas e da verdade, sobretudo quando é ele próprio a vítima. Ele tanto se dá ao cuidado de esventrar a terra e descobrir dinosauros enterrados no passado de há milhões de anos, como viajar para o espaço à descoberta do futuro.

Não importa, pois, a justificação que os senhores possidentes apresentam para as suas fraudes e as suas guerras; não importam os seus discursos de falinhas mansas na hora das eleições. Porque, lá no fundo, eles sabem que nós sabemos quais as suas fraquezas e os seus vícios, quais as suas fraudes e os seus crimes.

Nada escapa aos little brothers porque o big brother, construido por eles e para eles, tem os seus bugs, os seus pequenos defeitos, que produzem quase sempre o efeito de bomerangue.

E mesmo, remotamente, para os casos mais esconsos, aí estará a Mãe Natureza com as suas tempestades e enxurradas a pôr a descoberto os milhões de cadáveres de inocentes, mortos por ordem dos desvairados fazedores de guerras.

E até lá, entretanto, as guerras vão continuando com as suas misérias, as suas mortes e as suas carnificinas: no Sudão, na Palestina, no Iraque, no Afeganistão, etc. etc., enquanto outras se encontram já em fase de preparação, como parece ser o caso do triângulo Colômbia/Venezuela/Equador, onde as máquinas de guerra se vão posicionando para a matança.

Haja Deus!

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