Armagedão

Tudo se vai compondo paulatinamente para o armagedão. É só uma questão de tempo. E não pensem que se trata de uma visão esquizofrénica sobre o fim do mundo, porque já se sabe de ciência exacta que o nosso mundo vai acabar, embora só daqui a uns bons milhões de anos.

Muito antes disso, mas mesmo muito antes, a espécie humana já terá desaparecido da face da terra, como aliás já desapareceram as que nos precederam. E reparem que naqueles casos nem foram necessárias bombas nucleares para que tal acontecesse.

Há vários factores altamente gravosos, reconhecidos de resto por toda a gente, que levarão inevitalmente a uma grande guerra mundial e de entre os quais podemos destacar: o acelerado desenvolvimento económico e social da China, da India e da Rússia; o esperado crescimento dos países ligados à ex-União Soviética; a estabilização e subsequente desenvolvimento da América Latina; as necessidades exponencialmente crescentes de produtos alimentares e matérias primas, com particular enfoque no petróleo, etc, etc.

Paralelamente, é um dado adquirido que o poder nuclear escapou já ao controlo das grandes potências e até os Estados Unidos já não estão mais em condições de contrariar as ambições das potências emergentes, como é o caso manisfesto do Irão que se encontra cada vez mais fortalecido numa região tão crucial e determinante como é a do Médio Oriente.

É já significativo o número de países detentores de poder nuclear; os EU, o Reino Unido, a França, a Rússia, a China, Coreia do Norte, Israel, India e Paquistão. O Irão, se já não é uma força nuclear, anda por lá próximo. E muitos mais países dominam já a tecnologia nuclear.

Por outro lado, o terrorismo ligado ao fanatismo religioso e manipulado por teocratas gananciosos e sem escrúpulos é uma realidade inegável que até há bem pouco tempo não fazia parte do nosso imaginário.

Face a este cenário; ao que se está a passar na Palestina, no Líbano, Iraque, Afeganistão; à geopolítica implementada e em desenvolvimento em redor dos países ex-soviéticos; e sabendo-se, como se sabe, que dentro de poucos anos a fonte petrolífera se terá esgotado, não será pois descabido de todo pensarmos que provavelmente já estará aí a fase embrionária do armagedão.

Robert Mugabe e a Finitude

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Mais um ditador em vias de extinção. E este não é um ditador qualquer; é um daqueles que possui todos os requintes de malvadez que configuram os sinistros ditadores que a história nos tem revelado ao longo dos tempos.

Robert Mugabe tomou o poder há cerca de três décadas; trinta anos de corrupção, de roubos, de torturas, assassinatos e massacres, e um país em total bancarrota, um povo na mais aviltante miséria, uma taxa de desemprego de 80% e uma inflação a atingir a inacreditável taxa de 100.000%. Isso mesmo: cem mil por cento ao ano.

Para que se possa fazer uma pequena ideia deste monstro, mais a sua tribo e os seus esbirros, só no período que ficou conhecido por Gukurahundi (que sarcasticamente significa: as primeiras chuvadas que levam o entulho), foram massacrados mais de 20.000 civis pela sua 5ª Brigada, formada e treinada por militares e conselheiros norte-coreanos.

Reparem no cinismo que a foto revela. Dizendo-se cristão, não está seguramente a pensar em Cristo e muito menos a rezar um Pai nosso que estás no céu ou um acto de contrição.

Mas deve estar, com certeza, a pensar que o jogo sujo acabou e que vem agora aí a hora da verdade, a hora de prestar contas.

E nem os milhões que roubou e colocou a bom recato no estrangeiro lhe irão dar conforto ao físico, nem as vivendas e propriedades que tem na Malásia, e sabe-se lá onde mais, lhe irão dar paz à alma porque a alma de S.Exa. já deve estar a arder no inferno que ele próprio criou.

É triste e vergonhoso para toda a humanidade que este tipo de criaturas ande despudoradamente a ser recebido nos areópagos internacionais com pompa e circunstância, quando o seu lugar deveriam ser as sarjetas para onde o ditador Mussolini foi atirado e arrastado.

Todos nós sabemos que, desgraçadamente, quem vier a seguir não irá ser diferente. Será apenas e tão-só mais um, com algumas nuances de estilo. Mas também sabemos qual o destino de todos estes fascínoras, seja em campa rasa ou em monumento.

Por isso, podem roubar, torturar, matar, massacrar, porque mais dia menos dia a gadanha da morte irá bater-lhes estrondosamente à porta e atirá-los sem contemplações para o esgoto da História.

Tão certo quanto eu estar aqui!

O Telemóvel e os Tumores Cerebrais

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O jornal britânico The Independent acaba de publicar um artigo sobre os malefícios provocados pelo uso de telemóveis, baseado em estudos efectuados pelo Prof. Vini Kharana.

Para quem não saiba, o Prof. Vini é um neurocirurgião laureado com catorze prémios científicos e tem no seu currículo trinta e seis ensaios publicados e mais de cem estudos sobre os efeitos malignos dos telemóveis.

E o resultado apurado e tornado público pelo referido Professor constitui simplesmente o mais devastador julgamento alguma vez feito contra o uso do telemóvel, pelos riscos que este aparelho representa para a saúde pública, designadamente no que toca à incidência de tumores cerebrais malignos.

Segundo o Prof Vini, os telemóveis podem matar mais pessoas do que o tabaco ou o amianto. Daí o seu apelo aos governos e à respectiva indústria para que comecem desde já a trabalhar no sentido de ser significativamente reduzida a radiação emitida pelos telemóveis.

Não sabemos se terá sido com base nesses estudos, mas a verdade é que no princípio deste ano o governo francês pronunciou-se contra o uso abusivo do telemóvel, especialmente por crianças. Também a Alemanha aconselhou a sua população a utilizá-lo racionalmente e até a Agência Europeia para o Ambiente pediu a redução da radiação.

De acordo com os estudos do Prof. Vini, há neste momento cerca de três biliões de pessoas a utilizarem telemóveis, três vezes mais do que os fumadores que morrem à cadência de cinco milhões por ano.

Diz o Prof. que a incidência de tumores cerebrais malignos associada à taxa de mortalidade será observada globalmente daqui a uma década, pois é este o tempo que normalmente o cancer leva a revelar-se.

Ele admite que os telemóveis podem salvar vidas em emergências, mas conclui que há significativas e crescentes provas de ligação entre o uso do telemóvel e os tumores cerebrais. Estamos pois na eminência de uma catástrofe humana, pelo que não há espaço para esperar pelos dez anos para ver.

E, perante este cenário, como reage a Associação dos Operadores de Telemóveis? Como seria de esperar, rejeita linearmente os estudos do Prof. Vini Kharana, sob a alegação de que se trata de uma selectiva discussão sobre literatura científica de carácter puramente individual. Nada mais!

Eleições à Vista

Já cheira a eleições e o ponta-pé de saída aí está: redução de 1% no iva. A metodologia é sempre a mesma e por de mais conhecida, mas nem por isso deixa de ser utilizada porque a experiência mostra que ela é na verdade eficiente.

Primeiro, uma simples medida isolada à guisa de pré-aviso; depois, lá mais para a frente, outras medidas mais sonantes e apelativas, mas ainda e apenas em termos de quanto baste; e finalmente, com a aproximação das eleições, são então tiradas da cartola mágica girândolas de promessas: falsas, mentirosas e calculistas. Lá vêm os milhões para aqui, para alí e para acolá.

Com total descaramento e sem vergonha, surgem então os políticos em comícios de autêntica venda de banha da cobra prometendo este mundo e o outro a um zé povinho que até nem é parvo nem ingénuo. Mas é chico-esperto.

No seu ensaio “Da Necessidade da Mentira na Vida Política”, diz o sociólogo Prof. Ivo Costa que os políticos vivem da mentira, da intriga, do cinismo e da hipocrisia porque isso faz parte da sua estrutura biológica e psicológica e é o alimento para a sua própria sobrevivência.

Eles mentem porque são intrinsecamente mentirosos e sabem que as suas mentiras têm vencimento. A grande maioria do povo acaba sempre por votar.

E é dentro deste contexto que aquele sociólogo enfatiza os três tipos de eleitores manipulados pelos políticos, seja enquanto no poder, seja durante as campanhas eleitorais.

Segundo aquele sociólogo, o primeiro tipo de eleitores relaciona-se com as elites, as quais se estão pura e simplesmente nas tintas para os partidos e para o país; o único objectivo dessas elites são os seus próprios interesses. Daí o seu voto seguir claramente a tendência ganhadora mostrada pelas sondagens.

O segundo tipo de eleitores, continua o Prof., tem a ver com a classe média, que é apresentada como a mais volátil, mas que de qualquer forma a sua grande maioria não deixa de girar à volta dos partidos do centro e do centro esquerda.

Relativamente ao terceiro tipo, o Prof. relaciona-o ao eleitorado do interior cujos votos recaem, indiferentemente, a favor dos partidos afectos aos caciques locais, quer sejam eles arrogantes, corruptos ou ladrões.

Não cremos, obviamente, na bondade de todas as inferências do emérito sociólogo. Mas seja qual for o certo, a verdade é manifesta: o liberalismo começou em Portugal em 1820, há quase duzentos anos. E nem monarquia nem república conseguiu acabar com essa cambada de sanguessugas e aldabrões.

O Desnudo de Carla Bruni

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O jornal britânico Daily Mail acaba de trazer à estampa uma foto em que apresenta desnudada a primeira dama francesa, Carla Bruni, precisamente na véspera da visita de Estado que o seu marido Nicolas Sarkozy, presidente da França, irá fazer ao Reino Unido.

Aquela ilha tem sido useira e vezeira na abordagem deste tipo especulativo de falsas moralidades e todos conhecemos bem a ancestral cultura de cinismo e hipocrisia que sempre medrou no reino de sua magestade.

Os tratados, os ultimatums, as negociatas, a chantagem e o agiotismo sempre foram a sua religião e, desde os tempos mais recuados, o vil metal foi o seu Deus. O esclavagismo, os massacres e os corsários vieram por acréscimo e serviram seguramente para a expansão do Império.

Não admira, pois, que por mais algumas dúzias de libras esterlinas aquele pasquim tente provocar um escândalo e chocar consciências, não só com a publicação do desnudo que põe à mostra os mais íntimos atributos da primeira dama, como ainda faz torpes insinuações sobre a longa lista de amores passados, onde são incluídas as estrelas mundiais do rock, Mick Jagger e Eric Clapton.

Parece, pois, que os escândalos da real sociedade se tornaram de tal modo banais que já não chocam ninguém, nem promovem a venda de tablóides e magazines. Há assim que procurar outras matérias transitoriamente mais apelativas e não perder as oportunidades quando elas surgem.

É actual e está na moda falar de Carla Bruni, não propriamente por ser a esposa amantíssima do Presidente do país da antiga Gália e do laissez faire, laissez passer, mas única e exclusivamente pelo seu passado de top model, sex symbol e cantora de voz sensual e melada.

Para lá do conhecido humor britânico, tudo isto acontece na véspera da sua chegada a Londres. Esperemos pelo que virá a surgir no dia seguinte ao seu regresso, pois só cá faltava que viessem também agora desenterrar a Josefina, mulher que foi de Napoleão Bonaparte e que, essa sim, era uma ninfomaníaca de primeira apanha.

Quando o Telefone Toca

telephone-bell.pngQuando em 1876 o escocês Graham Bell inventou o telefone mal adivinhava ele não só a evolução extraordinária de que a sua invenção viria a ter no futuro, como também as suas subsequentes implicações sobre a vida de todos nós. Para o bem e para o mal.

O telefone veio para ficar e, com o avanço tecnológico e em particular com o surgimento dos telemóveis, ele passou definitivamente a fazer parte do nosso quotidiano e hoje em dia ele aí está nas mãos de toda a gente, desde as crianças da mais tenra idade até aos nossos mais queridos velhinhos.

O telefone evoluiu, modernizou-se, tornou-se sofisticado: dá-nos música e notícias; fotografa e filma, às claras ou subrepticiamente; tanto pode servir de simples brinquedo para passatempo, como tornar-se numa poderosa arma para criminosos.

Na nossa vida privada, quando o telefone toca há sempre um mágico compasso de espera nas nossas emoções. Tanto poderá ser uma boa novidade que nos alegre o coração, como uma notícia trágica que nos deprima e arrase. Tanto poderá revelar-se como o início de uma grande paixão, como ser o portador do requiem para a morte de um grande amor; tanto nos poderá trazer a boa nova de um belo bebé perfeito, como noticiar a tragédia de um nado-morto.

Ou poderá revelar-se numa desagradável conversa inconsequente à volta das nossas misérias e maleitas; ou, muito pior ainda, transformar-se no veículo sinistro das grandes conspirações, das grandes negociatas, das grandes corrupções, das grandes golpadas.

Com toda a sua versatilidade, o telefone tanto é usado por polícias, como por ladrões; às claras ou nos subterrâneos; por justo e pecadores. E porque não dizê-lo também, porque é verdade e em verdade vos digo: o telefone é usado abundantemente de mais por políticos mafiosos, torcinários, assassinos e ladrões.

E a evolução do telefone não vai seguramente ficar por aqui. Por este andar e com tanto maquiavelismo abundando por aí , qualquer dia a própria morte deixará de nos vir bater à porta para nos levar: ouviremos apenas o trin-trin-trin do telefone e lá vamos nós para o maneta. Se é que ainda se não esqueceram de Monsieur Maneta dos tempos da revolução francesa.

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Professores e Alunos; Efeitos Causais

O que os meios de comunicação social acabam de trazer a público, mostranto a luta em plena sala de aulas entre uma professora e uma aluna em adiantado estado de histerismo, com aplausos de alunos pelo meio, não é para rir nem para esquecer, porque é grave e dá que pensar.

E traz desde logo o problema da educação no país e tudo o que ele acarreta em termos sociais, e o que tem sido a política nessa matéria dos vários governos que têm passado pelo poder.

É visível, e certamente preocupante, o estado de degradação em termos de civilidade, e não só, a que chegou a nossa sociedade. E a verdade é que as nossas crianças e os nossos jóvens são cada vez mais confrontados com os piores exemplos que lhes são dados, sejam eles através da televisão, das consolas de jogos, do que se passa lá por casa ou, por maioria de razão, dos exemplos que lhes são transmitidos pela própria política e pelos seus agentes mais directos.

Aquele acontecimento acaba, pois, por ser um reflexo do que se passa na nossa sociedade.

Com os exemplos que vêm de cima, já ninguém acredita em ninguém e muito menos nos nossos políticos e nas nossas instituições. Os tribunais não funcionam e os crimes passam ao lado; a polícia, que deveria ser de segurança pública, ou anda por aí à caça das multas ou trata os cidadãos abaixo de cão; a corrupção parece ser conhecida por toda a gente mas escapa-se incólume; os negócios à volta da droga, da prostituição, da homossexualidade e da pedofilia grassam livremente pelo país; a traficância de influências é o que sabemos.

E perante toda esta decadência do estado, das finanças e da sociedade em geral, qual é o papel e a responsabilidade dos nossos políticos? Afinal, quem são eles?

Bem o tentámos saber, consultando uma dúzia das suas biografias no site do nosso Parlamento. Ficámos simplesmente na mesma: continuamos sem saber quais são as suas origens, donde vêm e para onde vão, quem são os seus pais, se têm marido/mulher e se têm filhos, quais as suas inclinações sexuais, as suas taras, etc, etc.

Mas de uma coisa ficámos a saber: o cuidado e a preocupação de todos eles lá colocarem as suas licenciaturas em direito, em engenharia, mestrados e doutoramentos, e, até alguns que, nada podendo contra o destino que os fizeram, não deixaram de lá colocar a indicação: frequência universitária. O que deve ser para essa gente uma grande frustação. Por enquanto, entenda-se, porque o que não faltam por aí são universidades a facilitarem a conclusão de licenciaturas.

Portanto, neste país do faz de conta e de chico-espertos, onde as crianças e os jóvens estão entregues a si próprios, por favor não pretendam agora levianamente crucificar aquela professora, porque também Cristo não deixou de correr a pontapé os vendedores do templo, não obstante dar a outra face e dar a César o que era de César.


Lisboa e Autárquicas

Não acreditamos em bruxas nem em milagres, mas de vez enquanto acontecem coisas bem estranhas e bizarras neste país.

Reparem que não ainda há muito tempo corria por Lisboa uma onda de histerismo, relativamente ao que então se passava na autarquia de Lisboa, a tal ponto que o assunto era ferozmente debatido em todas as latitudes, em todos os quadrantes políticos e entre todos os canditados, incluídos os independentes.

Face então à suposta e eminente falência camarária, do desgoverno acelerado a que a autarquia havia caído, mais os rumores sobre corrupção, negociatas e compadrios, o governo autárquico acabou mesmo por cair e, como sabemos, novas eleições foram fixadas.

Todos estamos lembrados da dramatização extrema e do ruído levados a efeito por todos os canditados, sem excepção, sobre a situação da autarquia lisboeta, de total rotura financeira, segundo todos eles.

Concluídas, porém, as eleições e distribuídos os pelouros, aconteceu o milagre: voltou a calmaria e a tranquilidade como se tivéssemos dobrado o cabo das tormentas e entrado directamente no oceano pacífico.

Tudo se pacificou, tudo se acomodou, tudo vai bem no reino da Dinamarca.

Porque quanto aos rumores sobre corrupção, negociatas e compadrios, parece afinal que não passou disso mesmo: rumores, apenas rumores…

Holocaustos

Misérias Humanas

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As imagens que vemos acima, que podem e devem ser ampliadas para uma melhor percepção, não são de nenhum exoplaneta recentemente descoberto nem pertencem a algo ficcional. São mesmo realidades deste mundo cão, com as quais nos confrontamos diariamente e que nos entram pela casa adentro através dos mais variados meios de comunicação.

São imagens que pela sua crueza perturbam e ferem a mente de qualquer pessoa minimamente humana e sensível, a tal ponto que repugna acreditar que tão execráveis barbaridades possam acontecer neste mundo supostamente civilizado.

Como é possível que todos esses fazedores de guerras e de mortandades possam assobiar para o lado e dormir em paz e consigam ainda acordar alegremente para o seu perfumado banho matinal?

Como é possível que meia dúzia de tiranos possam fabricar guerras a seu bel-prazer e enviar milhares de jóvens para a sua insaciável sede de matança e consigam ainda assim sair serenamente de cena, com sorrisos e gestos ledos, sem qualquer julgamento por todos estes hediondos crimes cometidos contra a humanidade?

Quando vemos por esse mundo fora milhões de inocentes sofrendo e morrendo na mais abjecta agonia, vítimas de guerras fabricadas com esfarrapadas justificações por autênticos energúmenos, carniceiros, assassinos e assaltantes de nações, que as promovem e executam com a ganância dos seus interesses pessoais e das suas tribos, não conseguimos reter um grito bem alto de revolta. Está para lá das nossas forças.

Sabemos e temos consciência de que nada podemos contra este estado coisas. E nada podendo contra elas, resta-nos apenas e tão-só extravasar o nosso repúdio e toda a nossa raiva contra essa cambada e seus seguidores que de humanos só têm as aparências, as roupagens e nada mais.

O Tibete e a China

Mais uma vez, a ditadura sanguinária chinesa extravasou a sua furibunda malvadez contra o povo bom, humilde e pacífico do Tibete, sem que as nações poderosas deste mundo cão levantassem em uníssono as suas vozes contra tal barbárie.

As únicas vozes que se levantaram e fizeram ouvir foram simplesmente a nível individual, sobretudo vindas de pessoas mais atentas e conscientes de que a história não terminou e que os impérios, com os seus avanços e recuos, estão aí para durar, enquanto pelo menos não for possível à humanidade desalojar os seus ditadores.

Mas há sempre quem resista e eles aí estão. Em Paris, centenas de manifestantes escalaram os muros da embaixada chinesa e derrubaram a sua bandeira; em Barcelona, foi realizada uma cerimónia em homenagem às vítimas de violência no Tibete, seguida de uma marcha e uma vigília; em Haia, a manifestação perdeu as estribeiras e algumas pessoas chegaram mesmo a introduzir-se na embaixada, onde foram presas; em Bruxelas, centenas de manifestantes queimaram a bandeira chinesa em solidariedade para com o povo tibetano.

Os Amigos do Tibete, A Comunidade Internacional do Tibete, em Bruxelas, solicitou uma investigação internacional sobre os massacres, exigindo a suspensão dos Jogos Olímpicos de Pequim.

E as grandes potências internacionais? O que fizeram elas? Está bem de ver: por questões económicas e financeiras, por razões de estado, hipocritamente como sempre, os Estados Unidos, o Japão e a União Europeia pediram tibiamente moderação ao governo chinês. Como quem diz: malhem, mas de mansinho; matem, mas não exageradamente.

Se a China fosse um país pequeno e frágil, como o Kwait ou o Panamá; se fosse como o Kosovo ou a Bósnia e tantos outros do género, outro galo cantaria. Os grandes não se mordem uns aos outros porque se aleijam.

E acima de tudo, o que é triste, é vergonhoso e mete nojo é que em pleno século XXI a grande maioria dos países deste mundo, que era suposto ser um paraíso, ainda seja governada por ditadores corruptos, ladrões, assassinos, criminosos contra a humanidade, e ainda assim sejam recebidos com passarelas vermelhas e sorrisos rasgados.

Estamos no século XXI, é verdade. Mas ainda não saimos da idade da pedra, com certeza.